Absconditum Mentis: Sorte

4 de jul. de 2011

Sorte

Olhava para todos transbordando arrogância, como se ninguém valesse mais que a um verme, a não ser ele mesmo. Nunca seria preso por seus pecados que eram tantos, o rei do mundo se via livre de toda e qualquer lei.
Seu terno armani deixava claro sua respeitavel postura, além de seu charuto cubano legítimo. Nos labios seus brancos dentes, sorrindo cinicamente sem preocupações.

- Maldito Narciso !

Graças a esse ser desgraçado me via em uma situação pior que de um animal largado ao relento, perdi tudo, por ele invejar minha felicidade. Felicidade que para o grande senhor era proibida aos plebeus.
Tomou-me então a esposa, o emprego e minha pobre casa. Mas cometeu um grande erro me deixou vivo, até mesmo um deus erra.

Como auxiliar de limpeza consegui entrar em seu imenso escritório, que sorte, a sala era aprova de som, provavelmente Narciso não gostava de ouvir o som dos mortais. Esperei por ele atras da mesa segurando nas mãos tremulas um revólver que me vi obrigado a roubar de meu tio que me acolheu, sentindo uma imensa sede pelo sangue azul de meu carrasco. Logo tudo teria um final feliz.

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